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Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

09.Abr.07

HIPOCONDRIA - O MEDO DA DOENÇA

 

A hipocondria, também conhecida por nosomania, é um estado psíquico que se caracteriza pela crença infundada de se padecer de uma doença grave. Costuma vir associada a um medo irracional da morte, a uma obsessão com sintomas ou defeitos físicos irrelevantes, à descrença nos diagnósticos médicos, preocupação e auto-observação constante do corpo. A hipocondria pode vir associada ao transtorno obsessivo-compulsivo e à ansiedade.

 

“Os hipocondríacos constroem gaiolas e procuram-lhes a chave de nariz

rente ao chão, surdos ao rumorejar da vida um pouco mais além. Penam de

solidão atarefada. Mas quando se decanta a luz soturna da sua melancolia, não

é raro encontrarmos um depósito de superstição no filtro. Através de uma tortura inquisitorial privada expiram culpas inconfessáveis, mas é o corpo e não a alma a ser resgatado. Flagelando-se com doenças imaginárias, exorcizam maleitas possíveis; pagam indulgências com medo e sofrimento, não dinheiro;

sofrem para não sofrerem; são católicos medievais que se desconhecem.”

Júlio Machado Vaz in O Tempo dos Espelhos

 

As preocupações da pessoa quanto à gravidade da doença são baseadas, muitas vezes, numa interpretação incorrecta das funções normais do organismo. Por exemplo, o ruído dos intestinos e as sensações de distensão e de incomodidade que às vezes ocorrem à medida que os fluidos avançam através do tubo digestivo são normais. As pessoas com hipocondria utilizam tais «sintomas» para explicar a razão por que julgam ter uma doença grave. O facto de serem examinadas e tranquilizadas pelo médico não alivia as suas preocupações; elas tendem a crer que este não conseguiu encontrar a doença subjacente.

Suspeita-se de hipocondria quando uma pessoa saudável com sintomas menores está preocupada com o significado desses sintomas e não reage perante explicações tranquilizadoras depois de uma avaliação cuidadosa. O diagnóstico de hipocondria confirma-se quando a situação se mantém durante anos e os sintomas não podem ser atribuídos à depressão ou a outra perturbação psiquiátrica.

O tratamento é difícil porque uma pessoa com hipocondria está convencida de que tem algo gravemente alterado no seu corpo. Tranquilizá-la não alivia essas preocupações. No entanto, uma relação com um médico atento torna-se benéfica, sobretudo se as visitas regulares se acompanham de uma atitude tranquilizadora para o doente. Se os sintomas não se aliviarem adequadamente, pode consultar-se um psiquiatra para a sua avaliação e tratamento, continuando a manter o acompanhamento por parte do médico de primeiro atendimento.

A hipocondria existe, não é apenas um mito, nem uma doença rapidamente passageira. Para o aumento do número de pessoas hipocondríacas contribui, em parte, o aumento do conhecimento, pelo menos, aquele que é fornecido constantemente pela comunicação social e referente às várias doenças existentes e aos sintomas pelos que as mesmas se manifestam.

Como futuros médicos, devemos estar sensibilizados para este distúrbio psíquico e sensibilizar a população em geral.

 “A hipocondria é isso – um viver dobrados sobre nós mesmos.

Tão obsessivo que a desgraça dos outros, embora real, se vai metamorfoseando,

em simples e apagado mordomo; que anuncia a nossa, imaginada.”

Júlio Machado Vaz in O Tempo dos Espelhos

 

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